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Mulheres de Si: Garantia dos Direitos Sexuais e Reprodutivos

Organização Via Mulher / Dina Lopez

O PODER DA ESCOLHA

A educadora popular Dina Lopez tem uma longa história de conexão ancestral com seu orixá, Mãe Oxum. A senhora das águas, símbolo do amor, do cuidado e uma poderosa energia feminina, sempre esteve ao lado e fortaleceu sua luta, segundo ela. Dina inspirou-se em Oxum para construir um programa na TV Kirimurê, o primeiro canal de cidadania de Salvador. Quando idealizou o “Conversa de Preta”, um sucesso de audiência na cidade, ela sabia o que queria: tirar mulheres da invisibilidade. “Era hora de dar voz e vez para as mulheres”, conta. Oxum, no seu ouvido, é quem soprava a orientação. “Como uma boa filha, eu só obedeço”, brinca.

“No Conversa de Preta nós trazemos mulheres que são invisíveis tanto em seus bairros quanto na grande mídia. São as mulheres que ajudam as comunidades, às vezes tiram dinheiro do próprio bolso. Tudo que eu quero é que elas se vejam. Eu quero que as mulheres se reconheçam”, define Dina.

Aos 55 anos, Dina Lopes sabe bem o que é a invisibilidade, porque, por muito tempo, esteve lá. A experiência de sofrer na pele a desigualdade de gênero e o racismo fez com que abrisse caminho, entre os movimentos sociais, para lutar e aparecer. De alguma forma, ela também é parte do espelho que quer revelar. “Quando eu tenho visibilidade, eu permito que outras tenham. Eu trago as minhas comigo quando me levanto”, explica.

E se tivesse outra vida eu ia querer ser mulher de novo.”

A ideia de inscrever um projeto de comunicação no edital Ela Decide, uma realização do Fundo de População da ONU em parceria com o Fundo Elas, foi concretizada em diálogo com a organização da qual Dina faz parte, a Via Mulher. Com o projeto, ouvindo e dando voz, a educadora e apresentadora do programa aprofundou a discussão sobre a liberdade ao corpo e às escolhas. “Nós mulheres não precisamos estar submetidas a nenhum modelo, só se a gente quiser. A mulher não tem que servir só para casar e ter filhos. Se ela quiser, tudo bem. Mas a sociedade não pode impor. A gente tem que se lembrar de ter esse poder. Esse poder de decidir a nossa própria vida”, reafirma.

Dina gosta de pensar em si mesma como uma energia que não se esgota, mas se renova. Como a água da cachoeira que cai e purifica. Ir à luta, de acordo com ela, é um ato cotidiano. E sua própria natureza guarda a intuição e a fortaleza, como o orixá que a acompanha. “Quando meu povo foi sequestrado da África trouxe consigo todos seus deuses e deusas, eu herdei essa energia feminina dos meus antepassados. Eu gosto de ser mulher”, define. “E se tivesse outra vida eu ia querer ser mulher de novo.”

Projeto: Mulheres de Si: Garantia dos Direitos Sexuais e Reprodutivos

Local:Salvador/BA

Pessoas beneficiadas diretamente pelo projeto: 200 mulheres e 12 homens.

Organização Via Mulher, por meio do projeto, desenvolveu um quadro televisivo para a TV Pública local (canal 10.2), dentro do Programa Conversa de Preta, no Canal Cidadania de Salvador /Tv Kirimurê, que tem alcance de mais de 3 milhões de pessoas. O objetivo do quadro foi discutir temas relacionados com a saúde sexual e reprodutiva das mulheres. Além disso, com a chegada da pandemia, o grupo apoiou outras organizações na distribuição de cestas básicas para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Fotos: Carol Garcia / Redação: Fabiane Guimarães e Rachel Quintiliano / Coordenação Editorial: Rachel Quintiliano / Revisão de conteúdo e abordagem: Anna Cunha, Juliana Soares e Michele Dantas / Design Gráfico: Diego Soares

Esta história faz parte da publicação "Força Motriz: histórias e ações empreendidas por mulheres e para mulheres na Bahia", que mostra o resultado da parceria entre o Fundo de População das Nações Unidas e o Fundo Elas para apoiar projetos liderados por mulheres residentes no Estado da Bahia, que atuam promovendo ações de formação e informação em saúde sexual, reprodutiva e direitos. Para saber mais sobre o projeto e ler outras histórias, acesse brazil.unfpa.org/forcamotriz