A Amazônia e sua representação no Jardim Botânico do Rio de janeiro

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro possui no seu arboreto um conjunto histórico de bens culturais representacionais da região amazônica situado numa ilha, composto por cabana - construída inicialmente em 1932 - escultura de um pescador, vaso cerâmico, além de espécies plantadas da flora amazônica. Este conjunto foi objeto do projeto de revitalização do patrimônio cultural, elaborado pelo Museu do Meio Ambiente, com a construção de uma nova cabana semelhante a original, de paus roliços e cobertura de palha de buçu, e a restauração da escultura do pescador.

Apresentar e colocar em evidência ao público visitante parte desse legado constitui um dos objetivos principais do Laboratório da Paisagem do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, buscando assim que os visitantes do Jardim tenham a possibilidade de vislumbrar e "descobrir" parte de um dos mais importantes acervos vivos da instituição.

Durante o período em que trabalhou no JBRJ (1918-1945), Adolpho Ducke contribuiu significativamente para a implementação da coleção hoje conhecida como Região Amazônica do Arboreto do JBRJ

Ducke foi contratado durante a administração de Pacheco Leão, médico e cientista, que dirigiu o Jardim Botânico do Rio de Janeiro entre 1915 e 1931. Pacheco Leão tinha uma trajetória consolidada e, ao assumir a direção do Jardim, desempenhou um papel fundamental para o avanço das pesquisas da instituição. Ele incentivou a ampliação das coleções de plantas do herbário, do arboreto, e além de Aphonso Adolpho Ducke (1876- 1959), incorporou botânicos como João Geraldo Külhmann, Alexandre Brade, Alberto Lögfren e Campos Porto.

As cabanas, também denominadas de ranchos ou feitorias pesca, constituem abrigos temporários construídos por pescadores durante o período da pescaria. Localizam-se em lugares de passagem dos cardumes e servem de local de pousada, dormida, descanso e de trabalho complementar de pescadores. O caráter temporário dessa habitação justifica-se pelas frequentes inundações das praias e estuários (FURTADO, 2016).

O projeto contou com a consultoria da pesquisadora Lourdes Gonçalves Furtado (2016), especialista nos temas Amazônia, e trouxe para a construção da cabana o pescador Aladim, detentor das habilidades e técnicas necessárias para a construção da cobertura de palha da cabana assim como para orientar os processos e práticas de certos aspectos da vida cultural dos “povos das águas”.

Importante salientar que as tecnologias e metodologias locais são consideradas patrimônio cultural imaterial do povo que as cria, utiliza e reproduz ainda que com alterações ao longo de sua história. Varia de região para região, de país da país, permanecendo o seu sentido.

Desta forma, a importância simbólica deste conjunto representacional que agrega valor sociocultural a coleção viva, disposta nos canteiros entorno do lago, determinou a proposta de sua revitalização pelo Museu do Meio Ambiente com o intuito de propiciar o acesso e o deslocamento dos visitantes desta paisagem - intencional e historicamente - construída no Jardim Botânico.

Financiamento

Realização

Apoio

Created By
raul ribeiro
Appreciate

Credits:

Fotos Acervo do Museu do Meio Ambiente - JBRJ e Raul Ribeiro

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