O Boom Oriental como a economia asiática dominou o mundo

A expansão oriental não afetou apenas a economia, mas também o estilo de vida ocidental - principalmente no Brasil.

ECONOMIA

Você compraria roupas, acessórios, calçados, panelas, celulares e capinhas para celulares, por menos de U$10? Mesmo sabendo que pode demorar mais de três meses para chegarem na sua casa? Pois é, muitos brasileiros - cerca de 3 milhões - preferem ficar até meio ano esperando por um anel ou um boné.

O Aliexpress é um site, fundado em 1999, que permite conectar fabricantes chineses com compradores estrangeiros. O portal cresceu tanto e tornou-se tão popular, que em 2010 foi criada versões em outras línguas (inglês, português, espanhol) para ajudar na compreensão e atrair consumidores.

O Ali movimenta mais de U$ 250 bilhões por ano e em julho de 2014, gerou mais de 11 milhões de vendas no território nacional, superando sites consolidados como o Americanas e Submarino.

O analista em relações internacionais, Vinícius Sangion explica como a plataforma faz tanto sucesso no mundo. “O Aliexpress conseguiu aplicar o door to door muito bem. Eles têm uma variedade muito grande de produtos e entregam na porta das casas, em qualquer lugar do mundo e com um custo muito baixo. Esses produtos são exportados via marítima e a China tem empresas de fretes marítimas internacionais e rotas marinhas comerciais internacionais. Por isso, o custo do frete também é muito acessível, além da mão de obra e mercadorias extremamente baratas, o que contribui para o baixo custo do produto”, diz.

Os principais destinos de exportação do Brasil são a China ($35,9 Bilhões/ 2.8%), o Estados Unidos ($24,5 Bilhões/ 1.1%), a Argentina ($12,9 Bilhões), a Holanda($7,76 Bilhões) e a Alemanha ($6,51 Bilhões). As origens de importação do Brasil são a China ($30 Bilhões/1.3%), o Estados Unidos ($26,4 Bilhões/ 1.9%), a Alemanha ($10,5 Bilhões), a Argentina ($10,1 Bilhões) e a Coreia do Sul($5,47 Bilhões).

Melloni Ribeiro recebeu na semana passada seis pacotes pelo correio, todos eles comprados pelo portal. “Compro todas as minhas roupas no Ali, é muito mais barato. Dependendo do vendedor, não demora tanto assim para chegar aqui no Brasil, por exemplo, essas encomendas eu estou esperando há uns dois meses”, conta a estudante de Engenharia.

Segundo o Observatório da Complexidade Econômica, as exportações chinesas renderam um saldo positivo de U$ 1,1 trilhões, superando os índices da economia norte-americana, que ficou com saldo comercial negativo de U$ 777 bilhões. “Os chineses fizeram uma grande poupança interna (poupança domestica), ou seja, eles exportavam muito mais do que importavam e com esse dinheiro eles financiaram o boom do desenvolvimento. Em virtude disso e da grande variedade de mão de obra, o produto chinês acabou se tornando muito barato”, completa Sangion.

A China exportou US $ 2,37 Trilhões e importou US $ 1,27 Trilhões, resultando em um saldo comercial positivo de US $ 1,1 Trilhões, já os Estados Unidos exportou US $ 1,38 Trilhões e importou US $ 2,16 Trilhões, resultando em um saldo comercial negativo de US $ 777 Bilhões. O Brasil exportou US $ 195 Bilhões e importou US $ 170 Bilhões, e teve um saldo comercial positivo de US $ 25,3 Bilhões.

COMIDA

Salada, arroz, feijão, bife, sashimi, macarrão, yakisoba, mandioca e wasabi. Poderia ser o menu de qualquer restaurante brasileiro.

Seu Luiz César é chef de cozinha e atende em seus restaurantes mais de 200 pessoas por dia. "Há 15 anos existiam quatro lugares onde você podia ir degustar um almoço tipicamente japonês. Hoje, tem sushi até em posto de gasolina. A procura é grande porque a culinária oriental é muito saudável. Mesmo a matéria prima sendo cara, os benefícios superam os preços", explica .

Além de balanceada, as iguarias japonesas têm sabor marcante. É o que fala o ilustrador, Pedro Boaron. "Acho que a comida oriental é muito rica, tem muitas receitas que nós nunca pensamos em experimentar, como o takoiachi ou o karê", diz.

Porém, engana-se quem pensa que comida oriental fica limitada à peixe cru e hashis. Os coreanos também participam dessa feira gastronômica internacional, com o kimchi e o kimbap. O estudante Gustavo Bauer sempre teve receio em comer carne in natura. "Quando minha namorada me convidava para comer sushi, eu nunca ia. Até que participamos de um festival coreano e conheci o kimbap, que parece com o sushi japonês, mas todos os ingredientes são cozidos", relembra o jovem.

Assista ao vídeo abaixo e aprenda a cozinhar este prato com uma verdadeira chef coreana.

ESTILO DE VIDA

A cultura coreana tem ganhado muita atenção no Brasil devido ao k-pop, música popular coreana, assim como doramas - as famosas novelas do país – e consequentemente isso tem causado um movimento na economia em solo brasileiro.

Há tantas pessoas apreciando essa cultura como um todo, que os produtos coreanos, desde doces, miojos até roupas e celulares, começaram a ter mais destaque e mais pessoas começaram a adquirir eles.

A música, as novelas, os ídolos coreanos influenciaram muito na vida financeira de muitos jovens. Adelaide Lima conta que comprou o último celular lançado da Samsung, devido a sua atriz preferida usá-lo no dorama.

“Não posso negar que sou muito influenciada por eles. Sempre que há algum produto diferente ou novo, vou logo pesquisando e quando é possível, eu compro. Pepero, tênis, e agora o celular”, diz ela em meio a risos.
Choco-Pick e Pepero são os doces coreanos mais conhecidos.

A procura é tanta por produtos que Marjorie Born resolveu montar uma loja para esse público. “Não havia tantas lojas de k-pop no Brasil, então eu queria trazer mais acessibilidade para os fãs brasileiros e claro que para mim também. Eu sempre comprava álbuns e artigos em conjunto com meus amigos, pois tinha que ser feito em cartão internacional, então eu intermediava a compra. Foi então que entendi a necessidade. Trabalhar com k-pop e ver a satisfação no rosto dos clientes é maravilhoso, me realizo nesse campo!”, diz ela.

O público cresceu de maneira tão grande que até teve um festival próprio para a cultura coreana. Kaio Santos motivado pela sua paixão por essa cultura, ele criou o Festival Coreano de Curitiba, que desde 2015 tem sua versão anual.

“Assim como há outros festivais como italianos, japoneses, poloneses, entre outros, resolvi fazer um festival só da Coreia do Sul. Apesar de ainda ser escasso existem pessoas que gostam dessa cultura, e querem mais e mais dela. E agora com a ajuda da internet, cada vez mais tem crescido esse público”.

A jornalista e escritora, Yoona Kim, lançou o livro “Brasil e Coreia – 50 anos de amizade” que conta relatos da imigração coreana no Brasil e comenta que esse crescimento da cultura coreana no Brasil é muito saudável.

“O Brasil é um tipo de país que recebeu todos os tipos de cultura, de todos os países, através dos imigrantes. A imigração coreana é uma das mais recentes do Brasil, então é uma nova cultura que vai acrescentar ao país ótimos aspectos.”

Yoona tem um blog, no qual escreve sobre sobre sua cultura no Brasil. (http://www.yoonakim.com.br/)

“Tem tantas pessoas, muitos jovens, procurando sobre a Coreia, não só pelo k-pop, ou pelos k-dramas, mas por estarem indo além disso. Eu fico muito feliz vendo brasileiros indo estudar na Coreia", continua.

Como no caso da Vanessa Santos, que também é fã, e vai além de comprar produtos coreanos. Tudo começou por uma indicação de uma amiga para ouvir uma música, e hoje ela está em busca de um intercâmbio para o país oriental.

“Eu sempre fui apaixonada por línguas e estudar uma língua tão bonita quanto o coreano me pareceu uma ótima ideia, além de ser um diferencial que conta bastante no currículo. Apenas uni o útil ao agradável”, relata Vanessa.

Credits:

Created with images by angela n. - "Sushi Taro" • Peter Kaminski - "KCON 2012"

Report Abuse

If you feel that this video content violates the Adobe Terms of Use, you may report this content by filling out this quick form.

To report a Copyright Violation, please follow Section 17 in the Terms of Use.