Sistema de Gestão Empresarial Henrique Galvão / André Alves Prado

Apresentação

Caro aluno,

Nesta oficina você estará aprofundando seus conhecimentos de administração de sistema de informação nas organizações.

Nesta oficina serão apresentados os fundamentos de ERP como fonte para as informações gerenciais e tomadas de decisões. Você também terá acesso a um vídeo e questões de avaliação.

Bom aproveitamento!

1.1 Conceito de ERP

O Enterprise Resource Planning (ERP) é mais conhecido como Sistema de Gestão Empresarial, surgiu no começo da década de 70 como uma evolução das técnicas de MRP e MRPII (Manufacturing Resources Planning ou Material Requeriment Planning). Essas técnicas foram usadas inicialmente pelas indústrias para planejamento de produção e controle de materiais. Aos poucos esses conceitos passaram a ser empregados também para o controle administrativo e dos demais departamentos das corporações, gerando novos módulos e funcionalidades que, incorporados, resultaram no ERP. (Corrêa, 2000). A Figura 1 mostra a evolução dos sistemas apresentados:

Na prática, o Manufacturing Resource Planning (MRP II) já poderia ser chamado de ERP pela abrangência de controles e gerenciamento. Mas não se sabe ao certo quando o conjunto de sistemas ganhou essa denominação. Uma data interessante é 1975, ano em que surgiu a empresa alemã – um símbolo do setor – Systemanalyse und Programmentwicklung (SAP) que em tradução literal seria: Análise de Sistemas e Desenvolvimento de Programas. Com o lançamento do software R/2, ela entrou para a história da área de ERP e ainda hoje é seu maior motor de inovação. (NEXTG, 2010).

Para Zille apud Laudon & Laudon (2001), O ERP é um sistema gerencial que integra todas as áreas da organização de forma que elas possam ser coordenadas e compartilhar informação. O sistema integrado de gestão é um conjunto de sistemas que tem como objetivo agregar e estabelecer relações de informação entre todas as áreas de uma empresa. A literatura sobre o assunto apresenta uma série de resultados positivos e benefícios a serem obtidos com a adoção desses sistemas. Porém, existem também dificuldades a serem enfrentadas e profundas mudanças a serem realizadas, para a obtenção dos benefícios prometidos. (NEXTG, 2010). A Figura 3 mostra a arquitetura do ERP:

Figura 3 :

Arquitetura Enterprise Resource Planning (ERP)

Fonte: Zille apud Davenport (1998)

A gestão empresarial pode ser conceituada como o processo de operação funcional cotidiana de uma empresa, com a otimização das atividades e procedimentos operacionais e gerenciais, planejamento de investimentos atuais e futuros, análise dos retornos e flexibilização de perenidade e crescimento da empresa. A gestão empresarial com ERP significa a sua administração geral, utilizando os recursos que esse software oferece. (NEXTG, 2010) Assim, um software corresponderá uma tecnologia que, ao processar os dados cotidianos das funções empresariais (operacionais), possibilitam a integração de suas informações interdependentes.

Na década de 80, o ERP serviu tanto para agilizar os processos quanto para estabelecer comunicação entre essas “ilhas” departamentais. Foram então agregados novos sistemas, também conhecidos como módulos do pacote de gestão. As áreas contempladas seriam as de finanças, compras e vendas e recursos humanos, entre outras, ou seja, setores com uma conotação administrativa e de apoio à produção ingressaram na era da automação. A nomenclatura ERP ganhou muita força a partir da década de 90, entre outras razões pela evolução das redes de comunicação entre computadores e a disseminação da arquitetura cliente/servidor – microcomputadores ligados a servidores, com preços mais competitivos – e não mais mainframes (Computadores de grande porte). As promessas eram tantas e tão abrangentes que a segunda metade daquela década seria caracterizada pelo boom nas vendas dos pacotes de gestão. E, junto com os fabricantes internacionais, surgiram diversos fornecedores brasileiros de sistemas de Enterprise Resource Planning (ERP).

No Brasil, os ERPs passaram a ser largamente utilizados pelas empresas após o temido Bug do Milênio. Apresentados algumas vezes como “solução mágica” para a maioria dos problemas empresariais, eles, na verdade, são apenas sistemas genéricos capazes de integrar todas as informações que fluem pela empresa por intermédio de uma base de dados única. (NEXTG, 2010) O mercado de ERP além de ater aos aspectos técnicos dirigia seus investimentos ao desenvolvimento interno. Isso resultou em soluções programadas sem documentação, o que fez com que o Bug do Milênio fosse mais temido aqui no Brasil do que em qualquer outro país. Muitos empresários decidiram, então, passar uma borracha nos sistemas antigos e partir para a adoção de novos e mais modernos sistemas de gestão, que prometiam integração e segurança. (op.cit., 2010) Essa postura beneficiou principalmente a Systemanalyse und Programmentwicklung (SAP), que tinha vários contratos globais para servir como argumento de venda no Brasil. A SAP influenciou o mercado nacional e cresceu tanto, a ponto de ser a solução adotada pela maioria das empresas que figuram na famosa lista anual da revista norte-americana Fortune 500.

O mercado das médias empresas no Brasil era pulverizado entre empresas como a Datasul, Logocenter, RM Sistemas, enquanto a Microsiga nadava sozinha no mar das pequenas empresas. (op. cit., 2010) Por volta de 2002/2003, o mercado se estabilizou, com essa configuração. As empresas que haviam comprado o ERP desembolsaram muito dinheiro e chegaram a pagar o dobro do preço gasto com a solução, com as consultorias, as únicas capazes de ajudar no mecanismo de implementação e de integração de processos. O processo de implementação de um ERP era longo e demandava muito investimento. As empresas chegavam a gastar duas vezes mais com as consultorias do que tinha sido gasto com a solução, propriamente dita.

Mas os anos dourados do Enterprise Resource Planning (ERP) estavam com os dias contados. Nos anos 2003 e 2004, veio a estabilização. Quem comprou não pretendia gastar mais.

A Systemanalyse und Programmentwicklun (SAP), depois de ter conquistado o mercado das grandes, ficou sem saída, sem ter para onde expandir seus tentáculos. A necessidade de crescimento fez com que a multinacional focasse o mercado das médias. Nem todas as empresas tiveram fôlego para atravessar esse período de calmaria. Enquanto a SAP tentava “descer” para alcançar as médias, a Microsiga fez o caminho inverso e começou a tentar a “subida” também em direção às médias. A movimentação do mercado também trouxe mudanças na direção da SAP. Com o amadurecimento dos projetos de ERP, ficou claro para o mercado que essas soluções não trazem ganho estratégico e nem diferencial às companhias que a adotam. O mercado ficou mais crítico. (NEXTG, 2010) A organização SAP alcançou o mercado das médias empresas e tinha como meta entre os anos de 2005 a 2010 expandir de 26 mil clientes para 150 mil, o que significa dobrar o faturamento de 10 bilhões de dólares para 20 bilhões. A empresa chegou a ser desejada por 180 grandes empresas mundiais. Isso porque no rol das mil maiores empresas listadas pela revista Fortune, a SAP está em 820 delas. A meta de crescimento no Brasil também é agressiva. Passar de 700 clientes, em 2005, para 7 mil em 2010. (op.cit., 2010) Para isso, a companhia aposta na atuação junto ao mercado de médias empresas. Esse processo resultou, em 2005, em uma série de mudanças dramáticas. A entrada da Oracle no mercado, com a aquisição da PeopleSoft por aproximadamente US$ 10,3 bilhões, da Siebel e da JD Edwards, deixou claro seu interesse em montar um portfólio de soluções, unidas sob o rótulo “Fusion”. Em 2005 a linha de produtos Oracle Fusion Middleware, família de middleware (ou seja, a camada intermediária de software que fica entre o sistema operacional e os aplicativos de negócios, voltada para a integração e para portais da Oracle) teve importantes conquistas. Foi a suíte mais vendida em unidades e a de crescimento mais rápido, tanto em receita quanto em unidades. Registrou aumento de 24% em 12 meses consecutivos. A poderosa Microsoft começou a olhar com carinho para esse mercado, uniu-se à Systemanalyse und Programmentwicklun (SAP) e lançou o Duet. Chamada anteriormente de Mendocino, a iniciativa conjunta entre as duas empresas para a área de aplicações recebeu oficialmente o nome de Duet – dueto, em inglês – e seu software foi lançado em 2006. A plataforma permite o acesso a informações do sistema de gestão dentro das ferramentas do Microsoft Office, iniciativa também anunciada pela IBM sob o codinome Atlantis, que coloca o ERP dentro do Lotus. (NEXTG, 2010) A parceria entre a SAP e a Microsoft, entretanto, não é exclusiva. A SAP também trabalha com a Macromedia para desenvolver melhores interfaces para seu Enterprise Resource Planning (ERP). As companhias também lançaram uma campanha conjunta de marketing para o produto. A verdade é que, com US$ 476 bilhões movimentados em 2007, o mercado de fusões e aquisições alcançou um recorde, motivado, em grande parte, pela disputa da liderança no mercado de ERP. (op. cit., 2010)

Para NEXTG apud Corrêa (1998), o objetivo de um ERP é a perfeita integração entre os setores da organização, com uma base de dados única e não redundante, e a informação boa e certa na hora certa; conforme NEXTG apud Lieber (1995), o objetivo é ser capaz de imputar a informação no sistema uma única vez. Pode-se ainda acrescentar como metas a serem atingidas em uma implantação de ERP, a integração de informações através da companhia e a eliminação de interfaces complexas e caras. Todos estes objetivos tornam-se, na verdade, benefícios obtidos pela empresa após a implantação do sistema, podendo ser tangíveis e intangíveis. Benefícios tangíveis são aqueles que são financeiramente mensurados, por exemplo, redução de estoques, redução de atividades que não agregam valor, redução de horas extras ou até mesmo de funcionários. Já os benefícios intangíveis são aqueles considerados de suma importância, mas que não apresentam, diretamente, uma redução de custos ou um ganho de capital.

Como exemplos têm-se a melhor satisfação dos clientes internos e externos, decorrentes da rapidez na geração e disponibilização de informações, e a maior confiabilidade na tomada de decisões através do conhecimento das informações corretas e em tempo, reduzindo assim riscos em decisões gerenciais. A eliminação de operações manuais é também um benefício intangível, pois possibilita o direcionamento dos empregados para atividades mais nobres. As operações manuais são na maioria dos casos necessária devido ao fato de diversos sistemas não integrados coexistirem, o que leva à necessidade de se realizar uma constante conferência e ajustes de informações presentes em sistemas diferentes. Pode por isso também ser considerada um benefício tangível já que com a eliminação destas atividades, é possível reduzir o quadro de funcionários. Cada empresa deve levantar e avaliar quais serão os benefícios trazidos pelo uso do Enterprise Resource Planning (ERP), o que é fortemente relacionado à situação atual de seus processos e sistemas, assim como ao seu negócio. (NEXTG, 2010)

VÍDEO:

O que é ERP?

Created By
Marco Aurélio
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